letreiro

28 de julho de 2010

Quase sem querer

Vê o podre fio que agora escorre
são lágrimas cinza,
roxas
que antes, cristais, umedeciam flores.
Agora pústulas deformam a pele.
Como extirpar esse cancro que fede,
que sangra descaracterizando minhas formas?
Agora o pus inunda tudo
e as gotas de sangue não mais existem.
Pustulano o coração explode,
percebe-se, pois, não haver mais sangue
e sim um líquido negro que ali escorre.
Que escorre na prova concreta
de que foste um amor maligno.
Como extirpar esse tumor
se o tétano já deforma todo corpo,
de um ser antes fértil,que agora supura apenas dor.

Testemunhas (À Alódia)


São tantas as testemunhas que sabem de ti,
e vêem teus olhos,
e são olhos,
e boca,
e nome.
Hão de existir pessoas dotadas
de um saber supremo
e saberão, contudo teu nome.
E assim quando mais tarde souberem reter teu riso
em conchas,
em formas coloridas,
saberão, no entanto
iluminar meus passos,
pois assim terão dito teu nome para mim.

Espera

O que vejo chagar não és tu,
não é ninguém.
Sou eu mesmo que me vejo
a caminhar sozinho.
Sou eu que venho vindo
já perdido
morto de cansado de tento te esperar.

Águas e luzes


Não sonho mais em mim,
sonho contigo
e vejo gotas,
sombras,
sois, luas e estrelas.
Quero o sonho,
as ruas por onde vais,
as carnes,
os pelos que em ti adornam,
para que não se vás,
para que sorrias
e molhes meu beijo.
Vês que trago nas mãos muitos sonhos,
muitas cores,
nomes em rimas,
naves,
astros
e pétalas vermelhas.
Vês que preciso do teu riso,
vês que te leio nos olhos
e sonho em teus sonhos.
Vês e vens
e sorrias e chores
e beijes uma dessas pétalas que te dei
todas molhadas de mim.


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